O tumor maligno de pâncreas mais frequente, presente em 90% dos casos, é do tipo adenocarcinoma, o qual se origina no tecido glandular. Na maioria das vezes, ele se desenvolve na “cabeça” do órgão (lado direito),sendo menos comum no corpo (centro) e na cauda (lado esquerdo).
A definição da terapêutica mais adequada depende do tipo e estadiamento do tumor, bem como do estado de saúde geral do paciente. Além disso, a idade também é um fator levado em conta, uma vez que o câncer de pâncreas se torna mais incidente com o avanço dos anos.
Dada a agressividade dos tumores de pâncreas, especialmente o adenocarcinoma, quando os exames de imagem realizados no estadiamento, seja a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética, mostrarem uma lesão suspeita, sem sinais de invasões locais, a cirurgia está indicada, mesmo sem uma biópsia prévia. Já para tumores maiores, com invasão de estruturas próximas, em que a ressecção completa pode não ser possível, este paciente deve ser submetido a uma biópsia, para que possa ser realizado tratamentos pré-operatórios (neoadjuvância). O objetivo desse procedimento é diminuir o volume do tumor, bem como a invasão de estruturas próximas, para que a cirurgia possa ser realizada.
As cirurgias oncológicas do aparelho digestivo estão, cada vez mais, seguras e eficientes. Em relação ao câncer de pâncreas, especificamente, existem dois tipos de abordagens possíveis:
A seguir, explicamos mais detalhes sobre ambos os procedimentos. Confira!
Trata-se de um procedimento complexo, no qual se realiza a ressecção total do tumor. Assim, a chamada duodenopancreatectomia (ou cirurgia de Whipple) é indicada quando as células tumorais se encontram restritas à cabeça do pâncreas.
Na maioria dos casos, retira-se não apenas o referido órgão, mas também os linfonodos próximos, assim como parte do ducto biliar, do intestino delgado e, por vezes, até do estômago. Para isso, pode-se fazer uma grande incisão no meio do abdômen (cirurgia aberta) ou realizá-la laparoscopicamente.
Já quando o tumor se encontra restrito à cauda do pâncreas, é possível realizar uma pancreatectomia distal. Nesse caso, remove-se apenas a cauda ou a cauda e uma porção do corpo do órgão, bem como o baço.
Outra possibilidade, quando o tumor se disseminou pelo pâncreas, é a pancreatectomia total. Nela, remove-se todo o órgão, a vesícula biliar e o baço, assim como parte do intestino delgado e do estômago.
Devido à capacidade do câncer de pâncreas se disseminar rapidamente, a maioria dos especialistas não indica a realização de cirurgia para o tratamento paliativo. A exceção se dá quando o tumor está bloqueando o ducto biliar e provocando icterícia (peles e olhos amarelados),problemas digestivos e/ou dores.
Nesses casos, para aliviar a obstrução, pode-se realizar:
Dada a dificuldade de detecção, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento, bem como o comportamento agressivo, o câncer de pâncreas tem baixo percentual de cura e apresenta altas taxas de mortalidade. No entanto, quando o tumor está localizado, a taxa de sobrevivência em cinco anos é de 44%.
Assim, o câncer de pâncreas pode ser curado se descoberto e tratado em fase inicial. Para tanto, a cirurgia de ressecção total do tumor é imprescindível. Como explicado, trata-se de um procedimento de grande porte e complexo, que deve ser realizado por cirurgiões de pâncreas experientes, em centros de referência.
FONTE : SBCO
A cirurgia de Whipple, também conhecida como pancreatoduodenectomia, é um procedimento cirúrgico complexo utilizado no tratamento de doenças localizadas na cabeça do pâncreas, como câncer pancreático, mas também pode ser indicada para casos de tumores em outros órgãos adjacentes, como a vesícula biliar, o duodeno ou os ductos biliares. O nome "Whipple" vem do cirurgião americano Allen Oldfather Whipple, que desenvolveu o procedimento na década de 1930.
Objetivo e Indicação
A principal indicação para a cirurgia de Whipple é o câncer de pâncreas localizado na cabeça do órgão, mas também pode ser recomendada para pacientes com tumores benignos, pancreatite crônica grave ou até mesmo em casos de trauma abdominal. A cirurgia visa a remoção de parte do pâncreas, do duodeno, da vesícula biliar, do ducto biliar e, em alguns casos, de linfonodos próximos. O objetivo é eliminar a área afetada pela doença, preservando o restante do sistema digestivo sempre que possível.
Como é Realizada
A cirurgia de Whipple é de grande porte e envolve a remoção das seguintes estruturas:
- Cabeça do pâncreas
- Duodeno(primeira porção do intestino delgado)
- Vesícula biliar
- Parte do ducto biliar
- Linfonodos ao redor da região
Após a remoção dessas estruturas, o cirurgião reconecta o trato digestivo, incluindo a parte restante do pâncreas, o fígado (através do ducto biliar) e o intestino delgado. O objetivo da reconstrução é permitir que a digestão continue normalmente, embora o processo de recuperação possa exigir adaptações no estilo de vida do paciente.
Recuperação Pós-Operatória
A recuperação de uma cirurgia de Whipple é longa e desafiadora. O paciente pode precisar de um período de internação que varia de 7 a 14 dias, dependendo de complicações e da saúde geral do paciente. A recuperação completa pode levar de 3 a 6 meses, e os pacientes frequentemente necessitam de acompanhamento médico rigoroso, com monitoramento da função digestiva e dos níveis de insulina (já que a parte do pâncreas responsável pela produção de insulina também pode ser removida).
Complicações Possíveis
Como se trata de uma cirurgia de grande porte, existem riscos e complicações associadas. Entre as mais comuns estão:
- Infecções: que podem ocorrer no local da cirurgia ou nos órgãos internos.
- Fístulas pancreáticas: onde o pâncreas vaza enzimas digestivas para a cavidade abdominal.
- Sangramentos: podem ocorrer durante ou após a cirurgia.
- Problemas digestivos: como diarreia e dificuldades para digerir alimentos gordurosos, devido à perda de parte da função digestiva.
- Síndrome do dumping: pode ocorrer devido à rápida passagem de alimentos do estômago para o intestino delgado, resultando em sintomas como náusea, tontura e suor excessivo.
Prognóstico
O prognóstico pós-cirúrgico varia conforme a condição que motivou a realização da cirurgia. Quando indicada para câncer, por exemplo, a cirurgia de Whipple oferece um tratamento potencialmente curativo, especialmente se o tumor for diagnosticado precocemente e estiver restrito à região da cabeça do pâncreas. No entanto, o câncer pancreático é frequentemente diagnosticado em estágios avançados, o que pode afetar a eficácia da cirurgia. Mesmo assim, a pancreatectomia pode proporcionar alívio de sintomas, como dor e obstrução, e melhorar a qualidade de vida.
Conclusão
A cirurgia de Whipple (duodenopancreatectomia) é um procedimento invasivo e desafiador, mas é uma das opções mais eficazes para tratar condições graves que afetam a cabeça do pâncreas e regiões adjacentes. Apesar das complicações potenciais e da recuperação difícil, a intervenção pode oferecer uma chance significativa de cura ou controle da doença, especialmente quando realizada em estágios iniciais do câncer. A abordagem multidisciplinar, com acompanhamento de nutricionistas, endocrinologistas e gastroenterologistas, é fundamental para otimizar os resultados e a qualidade de vida do paciente após a cirurgia.
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